segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Rimbaud


Farto de ver. A visão que se reencontra em toda parte.
Farto de ter. O ruído das cidades, à noite, e ao sol, e sempre. Farto de saber. As paradas da vida. - Ó Ruídos e Visões! Partir para afetos e rumores novos.



sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Melhor ouvir isso do que ser surdo.


Por que será que gente se contenta com tão pouco? A gente se contenta com amizade virtual só para dizer que tem amigo; a gente se contenta com empregos ruins só para ter um emprego; se contenta com relacionamentos tristes apenas para ter um relacionamento. Inventamos estórias, inventamos pessoas apenas para tê-las. Aceitamos viver na linha abaixo da mediocridade porque é melhor um pouco do que nada. Acho que não toleramos o vazio. Não abrimos espaço para a falta, para o não saber, não ter a resposta. Aí qualquer coisa mais ou menos serve, contanto que se tenha a ilusão de ter. Melhor uma vida de ilusão do que o tédio real e massacrante, né? Quantos recursos disponíveis estão por aí para ajudar a conter o desespero. Conheço um remédio amargo que funciona bem em casos assim: abandonar o orgulho. Já aprendi que apenas os orgulhosos se desesperam. Porém, cuidado ao usar - ele tem um efeito colateral devastador: destrói ilusões e traz realidade demais para sua vida. O uso prolongado pode até provocar no usuário uma estranha sensação de preenchimento. Outro efeito comum é que ao tolerar o vazio e não se desesperar, o usuário começar a ser muito exigente com aquilo que traz para a sua vida. Isso pode torná-lo um ser insuportável para aqueles que defendem a mediocridade como estilo de vida. Tudo bem. Aceite-os, seja compassivo, adote uma atitude amorosa, ou, simplesmente, siga em frente. Cantando e andando pra eles.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tipos 3

Bebia o café sem açúcar, pois doce basta a vida.

sábado, 29 de agosto de 2009

Tipos 2

Era aquele tipo de homem que abria a porta do carro, mas não a do coração.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Tipos

Tentava ser descolada, mas o máximo que conseguia era parecer deslocada.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Decidido

Decisão em caráter irrevogável: ser feliz.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Do outro lado do mundo


No armário, um terno feito de pura ausência e distância "made in China". Na gaveta, um vestido enrugado de saudade espera que ele venha.

sábado, 22 de agosto de 2009

Al Otro Lado del Río



Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
El día le irá pudiendo poco a poco al frío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a
Rema, rema, rema-a
En esta orilla del mundo lo que no es presa es baldío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz al otro lado del río
Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío
Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a
Rema, rema, rema-a
Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Jorge Drexler