terça-feira, 30 de março de 2010

Amor


Leve, como leve pluma
Muito leve, leve pousa.
Muito leve, leve pousa.

Na simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma
Suave coisa nenhuma.

Sombra, silêncio ou espuma.
Nuvem azul
Que arrefece.

Simples e suave coisa
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece

Secos & Molhados

sexta-feira, 19 de março de 2010

Crua


Arrancou-lhe um pedaço da pele e sorriu, mas lembrou de deixar ali um beijo para sarar logo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Quero algo



Quero algo que me de-limite. Moço, vocês tem aí camisa de força sabor azul?

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Viver mata

Acordei hoje com as notícias sobre o terremoto no Chile. Foi um terremoto de proporções muito maiores que o do Haiti, mas não causou tanta destruição como aconteceu por lá. Será a engenharia do Chile melhor que a do Haiti? Acho que não. Parece que a pobreza destrói mais que os terremotos mesmo. Para completar o quadro de miséria humana, emissoras pelo mundo todo transmitindo ao vivo, como espetáculo, a chegada de tsunamis em vários lugares. Como se fosse entretenimento assistir pessoas desesperadas, ameaçadas por uma possível tragédia. Que mundo estranho esse.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Tipos 4

Ele só almoçava com aquelas que não iria jantar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Rimbaud


Farto de ver. A visão que se reencontra em toda parte.
Farto de ter. O ruído das cidades, à noite, e ao sol, e sempre. Farto de saber. As paradas da vida. - Ó Ruídos e Visões! Partir para afetos e rumores novos.



sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Melhor ouvir isso do que ser surdo.


Por que será que gente se contenta com tão pouco? A gente se contenta com amizade virtual só para dizer que tem amigo; a gente se contenta com empregos ruins só para ter um emprego; se contenta com relacionamentos tristes apenas para ter um relacionamento. Inventamos estórias, inventamos pessoas apenas para tê-las. Aceitamos viver na linha abaixo da mediocridade porque é melhor um pouco do que nada. Acho que não toleramos o vazio. Não abrimos espaço para a falta, para o não saber, não ter a resposta. Aí qualquer coisa mais ou menos serve, contanto que se tenha a ilusão de ter. Melhor uma vida de ilusão do que o tédio real e massacrante, né? Quantos recursos disponíveis estão por aí para ajudar a conter o desespero. Conheço um remédio amargo que funciona bem em casos assim: abandonar o orgulho. Já aprendi que apenas os orgulhosos se desesperam. Porém, cuidado ao usar - ele tem um efeito colateral devastador: destrói ilusões e traz realidade demais para sua vida. O uso prolongado pode até provocar no usuário uma estranha sensação de preenchimento. Outro efeito comum é que ao tolerar o vazio e não se desesperar, o usuário começar a ser muito exigente com aquilo que traz para a sua vida. Isso pode torná-lo um ser insuportável para aqueles que defendem a mediocridade como estilo de vida. Tudo bem. Aceite-os, seja compassivo, adote uma atitude amorosa, ou, simplesmente, siga em frente. Cantando e andando pra eles.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Tipos 3

Bebia o café sem açúcar, pois doce basta a vida.